O segredo das coisas

segredoCésar, não suponha a vida, a vida não é suposição, nem a antecipação de certas coisas.

A vida… a vida deve ser vivida e a suposição jamais revelou muito.

Sentes tantas coisas, menino, por isso escreves… e escreves tanto, quando queres, quando não queres, em certas náuseas, em alegrias, quando estás triste ou feliz vem esse sopro sei lá de onde.

Não questione tanto as coisas, nem espere muita coisa acontecer.

Quase nada do que esperas ou pensas vai acontecer, é tudo pouco provável e inútil antecipar.

Tudo é muito diferente do que pensas, há muitos detalhes e tanta vida a ser descoberta.

Não suponha o tempo, é vão supô-lo.

O tempo é matéria do indefinido, não a tua matéria, bem sabes disso.

É vão esperar e supor certas coisas.

César, acalma-te, repara os pássaros.

Não te desesperas com o tempo que não veio, ou que se foi, nem te aborreces com o que era pra ter sido e que não foi.

O desespero leva muitos homens ao abismo todos os dias.

Muitos sobem o Brêda e de lá se atiram num gesto que não resolve o mundo.

Ai não está o segredo das coisas nem dos homens.

O futuro não sabe do passado nem do presente em que vives, embora interligados.

Tu vives o presente.

Sofres neste presente.

Amas no presente, reclamas, sorris.

César, acalma-te, tu amas.

Teu coração pulsa tanto durante o dia, durante a noite ele bem ama tanto que às vezes confunde o próprio amor.

Teu coração se diverte tanto com isso e com tanta coisa que entristece.

Teu olhar longe, meio que a buscar outros olhos, outras coisas, as mais profundas, teu entusiasmo a partilhar estes versos com estas pessoas: pessoas ricas, pessoas pobres e envelhecidas, pessoas feias, pessoas bonitas, desajeitadas…

Pessoas que te adoram, que te desprezam e que te fazem viver e crescer tanto, menino.

Conheces tantas pessoas e tantas coisas.

Ainda vais aprender muito do mundo…

Teu bigode te deu amigos, deu-te idade, entendimento, teu interior não recusa e te faz viver e amar as pessoas no único tempo possível e irrecusável, o único tempo provável.

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma, até quando o corpo pede um pouco mais de alma, a vida não para.

Enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso, faço hora, vou na valsa, a vida é tão rara.

Enquanto todo mundo espera a cura do mal e a loucura fingi que isso tudo é normal, finjo ter paciência.

O mundo vai girando cada vez mais veloz, a gente espera do mundo e o mundo espera de nós um pouco mais de paciência.

Será que é tempo que lhe falta pra perceber?

Será que temos esse tempo pra perder?

E quem quer saber?

A vida é tão rara.

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